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Economia · Opinião

Fim da Palhaçada: o eleitor falou, o mercado ouviu

Tiririca não se elegeu. Caneta Azul também não.

No domingo, o eleitor deixou os famosos de fora. Na segunda, a Bolsa teve a maior alta pós-eleição desde 2002 e o estrangeiro trouxe R$ 10 bilhões num só dia. A confiança subiu — mas devagar com o andor.

Por Adm. Romário Cruz · Jornalista MTb 0021682/RS · 9 de outubro de 2026
Infográfico em quatro quadros. No primeiro, um palhaço de peruca loira no palco diz “Pior que tá, não fica!” ao lado da placa “2010: 1.353.820 votos, o mais votado do Brasil”; ao lado, o mesmo palhaço, cabisbaixo, segura a placa “2026: 5.523 votos, ficou de fora”, junto de Caneta Azul (7.239 votos, ficou de fora) e Datena (51 mil votos, não se elegeu), sob o título “O eleitor parou de achar graça”. No segundo, o painel “Bolsa em festa”: Ibovespa +7,70% (206.911 pontos), máxima do dia de 209.605 pontos, dólar −4,12% (R$ 5,00), volume negociado de R$ 103,3 bilhões e investidor estrangeiro com + R$ 10,06 bilhões, recorde da série da B3, com um touro de óculos escuros e a placa “Confiança também é capital”. No terceiro, “Mas a confiança subiu? Sim. Mas devagar com o andor”: o mercado é volátil, teve realização de lucros, petróleo acima de US$ 100 e juros lá fora mais duros, e confiança de mercado é que nem crédito na bodega. No quarto, “O recado é simples”: dólar mais baixo segura o preço do pão, do remédio e do combustível; juro menor barateia o crediário e o financiamento; confiança vira emprego. No rodapé, uma urna com a cédula “25 out” e a pergunta: “No dia 25, você vai votar rindo ou vai votar pensando?”.
O palhaço volta para o picadeiro. E a política volta a ser coisa de gente grande. Ilustração: Rede Bolha, produzida com inteligência artificial. Números conforme as fontes ao fim da matéria.

Você votou rindo ou votou pensando?

Lembra de 2010? Eu lembro.

Um palhaço apareceu na TV com uma peruca loira e um bordão que virou piada nacional: “Pior que tá, não fica”. O Brasil riu. E, rindo, mandou o Tiririca para Brasília com mais de 1,3 milhão de votos. Foi o deputado mais votado do país.

Dezesseis anos depois, a piada perdeu a graça.

No domingo, 4 de outubro, passei a noite grudado na apuração. Virginiano que sou, ainda conferi os números duas vezes. Na segunda-feira de manhã, quando abri o home broker, quem não acreditou foi o meu café: a Bolsa brasileira tinha resolvido dar uma festa.

São duas notícias diferentes. Mas as duas têm o mesmo pano de fundo: um eleitor mais atento. Vamos por partes.

O eleitor parou de achar graça

Tiririca tentou o quinto mandato. Desta vez pelo PSD, no Ceará, a terra natal dele. Fez 5.523 votos e ficou de fora.

Olha o tamanho da queda. Em 2010 foram 1.353.820 votos, o que enche uns dezessete Maracanãs. Em 2026, os votos dele cabem num ginásio de cidade do interior.

E ele não caiu sozinho. Manoel Gomes, o cantor do “Caneta Azul”, disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo Avante. Fez 7.239 votos e também ficou de fora. Datena, com toda a sua audiência, ficou na casa dos 51 mil votos e terminou como suplente.

Nas redes, um cearense resumiu o espírito da coisa: por lá, o povo pesquisa antes de votar.

Quero deixar uma coisa bem clara, tchê. Nada contra o Tiririca nem contra o Manoel Gomes. Palhaço é profissão honrada, e fazer o Brasil rir é um baita serviço. O problema nunca foi o artista no palco. Era o eleitor achando que a urna é auditório de programa de domingo.

Esse eleitor, pelo jeito, cresceu.

A segunda-feira em que a Bolsa soltou foguete

Agora a parte que mexe no bolso.

O primeiro turno terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Lula (PT). Os dois voltam às urnas no dia 25 de outubro.

Na segunda-feira, dia 5, o mercado respondeu assim:

Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
IndicadorO que aconteceu
IbovespaSubiu 7,70% e fechou em 206.911 pontos. Passou dos 200 mil pela primeira vez na história
Máxima do dia209.605 pontos
DólarCaiu 4,12%, para R$ 5,00. Maior queda diária em oito anos
Volume negociadoR$ 103,3 bilhões, volume de dia histórico
Investidor estrangeiroTrouxe R$ 10,06 bilhões para a Bolsa num só dia. Recorde

Desde 2002, nenhum primeiro pregão depois do primeiro turno tinha subido tanto. O recorde anterior era de 2022, com 5,54%.

E esses R$ 10 bilhões do estrangeiro? Dinheiro de fora não tem pátria nem paixão. Ele é que nem visita desconfiada: só tira o casaco quando se sente em casa. Na segunda-feira, tirou o casaco e ainda pediu outro chimarrão.

Segundo os analistas, a leitura do mercado foi uma só: a expectativa de um governo mais disposto a enfrentar o desequilíbrio das contas públicas e abrir espaço para juros menores. O juro futuro despencou junto. E juro menor é a gasolina da Bolsa.

Mas vale o registro honesto: a expectativa ainda é só expectativa. O próprio candidato ainda não apresentou um plano detalhado para o rombo fiscal.

A confiança aumentou? Aumentou. Mas devagar com o andor

Os sinais de confiança são fortes. Gente de fora colocou dinheiro recorde aqui. O dólar caiu. A Bolsa bateu recorde. Quando o investidor gringo e os grandes fundos correm para o mesmo lado, isso não é boato de corredor. É convicção com dinheiro na mesa.

Só que eu sou administrador, e administrador desconfia de festa que começa cedo demais.

Na terça-feira, dia 6, o Ibovespa caiu 0,52%. Na quarta, dia 7, caiu mais 0,74% e fechou em 204.302 pontos. Foi a famosa realização de lucros: quem comprou barato antes da eleição aproveitou para vender um pedaço nos dias seguintes. Normal. Ninguém sobe escada correndo sem parar para respirar.

Tem mais. O petróleo passou dos US$ 100 e o Banco Central americano sinalizou que ainda pode apertar os juros. Isso pesa aqui também. E o próprio levantamento que comparou as eleições desde 2002 avisa: um único pregão também reflete fatores externos, então não dá para jogar toda a alta só na conta da urna.

Sendo bem honesto com você: a confiança subiu, sim. Mas confiança de mercado é que nem crédito na bodega do bairro.

Abre rápido e fecha mais rápido ainda se a conta não fechar.

O segundo turno ainda não aconteceu. As pesquisas vão mexer com o dólar, com os juros e com as ações até o dia 25.

O recado que vale para todo mundo

Agora deixa eu baixar o tom, porque a parte séria vem aqui.

O mercado não vota. Quem vota é você. A Bolsa só reage ao que o eleitor decide. E o que esta semana mostrou é simples: quando o povo leva o voto a sério, o país passa a ser levado a sério também.

Isso não é papo de engravatado da Faria Lima. Dólar mais baixo segura o preço do pão, do remédio e do combustível. Juro menor barateia o crediário da geladeira e o financiamento da casa. Confiança vira emprego. Eu vi aqui em Eldorado do Sul, depois da enchente, o quanto a confiança faz falta quando a gente precisa reconstruir.

O palhaço volta para o picadeiro, que é o lugar dele e onde ele faz bem o que faz. E a política volta, aos poucos, a ser coisa de gente grande.

Ainda falta o segundo turno. Mas a pergunta que eu deixo vale para qualquer lado do muro:

No dia 25, você vai votar rindo ou vai votar pensando?

Votar também é decidir

E decisão boa é a que se toma pensando, não no embalo. O Poder da Decisão fala de escolhas conscientes e alinhadas a valores — sobre propósito, coragem e responsabilidade.

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Fontes. A Gazeta: de 1,3 milhão a 5 mil votos, a queda de Tiririca. TVT News: Caneta Azul, Tiririca e outros famosos que não se elegeram. O Liberal: famosos que ficaram sem vaga em 2026. Jornal do Comércio: resultado do 1º turno e a maior queda do dólar em oito anos. B3 Bora Investir: Ibovespa fecha acima dos 206 mil pontos. Times Brasil/CNBC: maior alta pós-eleição desde 2002. Bloomberg Línea e InvestNews: fluxo estrangeiro recorde de R$ 10,06 bilhões. Suno: Ibovespa recua pelo 2º dia (6 e 7 de outubro). Forbes Brasil/Reuters: Ibovespa fecha em queda com exterior e eleições no foco (7 de outubro). Ilustração de abertura produzida pela Rede Bolha com inteligência artificial; as figuras são caricaturas e ilustram a matéria, não registram fato ocorrido.

Aviso. Este texto é uma opinião e não é recomendação de investimento. Tem finalidade jornalística e educacional, não constitui análise ou consultoria de investimento e não indica ativos, produtos ou instituições financeiras. Para orientação sobre onde investir, procure um profissional autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).