Fé sem máscara
O que significa ser um homem de fé sem fingir que está tudo bem diante de Deus.
Ler artigo →Tema · Fé e identidade
Quem você é diante de Deus e de si mesmo.
Você já rezou pedindo uma coisa e, ao mesmo tempo, teve vergonha de estar pedindo aquilo?
Eu já. Muitas vezes. Porque a gente aprendeu, sem ninguém dizer isso em voz alta, que homem de fé é homem que não vacila. Que confia sem duvidar, ora sem chorar, crê sem perguntar por quê. Isso é mentira bonita, mas é mentira.
Fé de verdade não é ausência de dúvida. É continuar caminhando com Deus mesmo levando a dúvida junto — igual quem carrega mala pesada numa viagem que precisa ser feita de qualquer jeito. Os salmos que eu mais gosto de ler não são os de vitória tranquila. São os que começam gritando "até quando, Senhor?" e só no final encontram um pouco de paz.
Eu sou homem de fé, minha fé é séria pra mim, mas eu não preciso fingir força na frente de Deus. Ele já sabe de tudo mesmo — a dúvida, o medo, a raiva, a vez que eu quase desisti. Fingir diante d'Ele não engana Ele. Só me cansa mais a mim.
Fé de verdade aguenta pergunta, aguenta lágrima, aguenta silêncio sem resposta pronta.
O problema é que a gente leva esse personagem de "tudo certo com Deus" pra dentro da igreja, da família, do grupo de estudo — e aí ninguém mais consegue ser sincero com ninguém, porque todo mundo tá representando a mesma peça de teatro ao mesmo tempo. Uma sala cheia de homens fingindo força pros outros homens que também estão fingindo.
Identidade e fé andam mais juntas do que parece. Porque se sua fé exige que você seja um personagem o tempo todo, ela também vai bagunçar quem você realmente é. Você começa a confundir "ser forte na fé" com "nunca mostrar fraqueza" — e são coisas bem diferentes.
A fé que segura de verdade, no meu caso e no de todo homem que eu já vi atravessar tempestade de verdade, não precisa de máscara. Ela é resistente o suficiente pra te ver por inteiro.
O que significa ser um homem de fé sem fingir que está tudo bem diante de Deus.
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No livro Homem, Você Não É Ridículo eu falo sobre fé e identidade sem discurso pronto, com o prefácio do filósofo Roque Bakof.
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