Homem, Você Não É Ridículo

Perdão

O Homem e o Perdão: o Veneno Que a Gente Bebe Achando Que Machuca o Outro

Tem alguém que você carrega mágoa há anos — talvez décadas — e que provavelmente nem lembra mais do que fez? Pensa nessa pessoa um segundo. Sentiu o peso subir só de lembrar?

Esse peso é o rancor. E a ilusão dele é boa: parece que guardar a mágoa é uma forma de castigar quem te machucou, de não deixar o outro "se safar". Só que o rancor não faz nada com o outro. Ele devora é você, todo dia, um pouquinho.

Perdoar não é dizer que o que aconteceu não importou. É dizer que não vai mais te governar.

O veneno que a gente bebe esperando o outro morrer

É a imagem mais precisa que existe pro rancor: beber veneno esperando que o outro sinta o efeito. Não sente. Quem sente é você. A neurociência já confirmou o que o povo simples sempre soube na prática — ressentimento crônico sobe cortisol, prejudica o coração, mexe no sono, enfraquece a defesa do corpo. Guardar mágoa custa caro fisicamente, não só emocionalmente.

O que perdão não é

Grande parte da resistência ao perdão vem de um mal-entendido. Perdoar não é dizer que o que aconteceu foi certo. A injustiça foi real, a dor foi real, e perdoar não apaga isso. Perdoar também não é abrir a porta de volta pra confiança automática — confiança se reconstrói com prova, com tempo, não com decreto. Você pode perdoar alguém e, ao mesmo tempo, decidir que essa pessoa não vai ter acesso à sua vida do mesmo jeito de antes. São coisas diferentes.

Perdoar, no fundo, é uma decisão de soltar a outra pessoa do tribunal que você monta dentro de você — não porque ela não errou, mas porque você não foi chamado pra ser juiz de ninguém. E enquanto você segura o martelo de juiz, você também está preso na própria sala do tribunal.

O perdão mais difícil é o que você deve a si mesmo

Tem um tipo de perdão que muitos homens acham mais duro do que perdoar quem os feriu: perdoar a si mesmo. O erro como pai. A decisão que estragou algo importante. A palavra dita em raiva que não tem como desfazer.

Quem não se perdoa carrega uma condenação por dentro que aparece de formas diferentes: autocrítica sem fim, dificuldade de aceitar amor, sensação de que coisa boa não é pra você. Pode durar anos sem que você entenda de onde vem. E aqui eu falo por experiência: segurar essa condenação depois que já foi perdoado — por quem você magoou, por Deus, seja lá por quem — não é humildade. É recusar um presente que já está com o seu nome escrito.

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Soltar o rancor não é fraqueza. É a única forma de sair do tribunal.

No capítulo "O Homem e o Perdão", de Homem, Você Não É Ridículo, eu desenvolvo essa jornada com mais profundidade — inclusive por que perdão e confiança são processos diferentes.

Conhecer o livro

Sobre raiva e o que ela esconde, veja também: Raiva masculina →

— Adm. Romário Cruz

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